Presépio da Catedral Santa Terezinha- Uberlândia
Terminado mais
um ano, fica a frase: “Adeus ano velho;
a Deus ano novo”. Como escreveu
Drummond, quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de
ano, foi um individuo genial. Industrializou a esperança, criou o milagre da
renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de
acreditar que tudo será diferente.
Assim, aqui estamos todos no começo da fatia de 2026, no tempo depois do Natal e do Réveillon. Depois de comemorar, presentear e ser presenteado, agradecer pelo Menino Jesus que se deu de presente para nós, lembrar dos que se foram e abraçar os que ficaram, realizar atos de bondade e compaixão pelo próximo, fazer promessas para o ano que se inicia. Depois de receber inúmeras mensagens que circularam nas redes sociais. No Natal, mensagens com luzes piscando, anjos voando, estrelas saindo de dentro de um envelope com o seu nome. Impressionou-me a mensagem de um bebê bonito e rechonchudo falando fluentemente da beleza do Natal, com uso da IA (fiquei com medo do bebê). Outra “sui generis” que recebi foi do Papai Noel a cavalo tocando um rebanho de vacas nelore todas com gorro vermelho, adorei. Algumas mensagens com dizeres curtos e emocionantes: “Afinal, tudo são luzes e a gente se acende é nos outros”. Ou então: “Naquele dia, fazia um azul tão límpido, meu Deus, que me sentia perdoado pra sempre. Nem sei de que”. Também surgiram aquelas bem humoradas, como o vídeo de um senhor de meia idade explicando como é o Natal : no dia 24 tem uma ceia; no dia 25 esquenta-se o que sobrou; no dia 26 faz-se uma farofa do chester; no dia 27 uma sopinha com o restinho de tudo. Já no Réveillon, circularam mensagens de champanhe estourando, fogos pipocando, textos bonitos, promessas de emagrecimento e outras, orações de agradecimento a Deus pelo ano que passou. Gostei de uma assim: “O que quer que o ano novo lhe traga? Nada. A única coisa que quero é que não leve. Que não leve o teto que me protege, o prato que me alimenta, a manta que me aquece, o sorriso dos meus amados, a saúde como um tesouro, a companhia, os abraços, os beijos.”
As
comemorações também são interessantes. O tal de “amigo da onça”, quando cada um
escolhe um presente embrulhado e depois pode trocar, e cujo objetivo maior é
treinar o desapego, sempre dá confusão. O meu irmão certa vez ganhou um pijama.
Um outro quis trocar por um jarro, mas meu irmão se negou a entregar o pijama,
deu briga e acabou a brincadeira. Também
existe o “amigo oculto”, que pode gerar discórdia quando o valor dos presentes
é muito discrepante, daí muitos ficam emburrados. Ou o amigo é tão oculto que a
pessoa esquece quem é.
Por falar em
esquecimento, organizei no Natal, no meu apartamento, uma confraternização para oito
amigas de longa data, desde a época do curso de Biologia na UFU, as sobreviventes
da primeira turma. Idosas, animadas e esquecidas. A primeira que chegou já
disse: “Ih, esqueci o presente!” Outra perdeu uma unha postiça, nunca mais
encontrou. E eu, que tinha arrumado tudo com esmero e carinho, inclusive
borrifado perfume no apto todo, esqueci as torradas no forno. Torrou mesmo. O
apartamento ficou todo enfumaçado, cheirando (fedendo) queimado... Outra, na
saída, foi buscar o carro para dar carona para a amiga. Foi e não voltava. Chegou
cansada, estava procurando o carro na rua errada, tinha esquecido onde
estacionou! Ah, e quando tudo sossegou, tarde da noite, tocou o interfone. Era
uma delas, tinha esquecido a bolsa , o celular e o presente no sofá... Resta o
consolo que esquecimento não é problema só de velhice . Por exemplo , um dos
meu filhos, novo e saudável,
esquece tudo. Dia desses, chegou para
almoçar comigo trazendo um saquinho de remédios. Na saída, não encontrou a
chave do carro. Desapareceu . Depois de muito procurarmos, ele chamou um Uber, pegou o saquinho de remédios e
lá se foi. No dia seguinte, voltou com a chave reserva e levou o carro. Dias
depois, foi tomar um remédio do saquinho. Surpresa: a chave do carro estava lá
dentro! Foi ele mesmo quem elaborou um plano: como sempre esquecia as coisas pra
trás, se deixasse a chave junto com os remédios, quando fosse pegar a chave,
lembraria dos remédios! Só que esqueceu onde colocou a chave...
Mas, voltando
ao Natal e ao Réveillon, no momento da comemoração do Natal com minha família,
todos colocaram uma estrelinha aos pés do Menino Jesus e fizeram um
agradecimento ou um pedido. A minha neta de 14 anos, Maíra, pediu: “eu quero me
transformar em uma pessoa melhor”. Quem
sabe nesse novo ano a gente também se transforme para melhor. Em gente mais
humana, que saiba sonhar, ter esperança, ser luz. Gente de verdade, que saiba
fazer valer a pena o tempo que passamos aqui neste mundo de Deus. Para que a passagem de ano não seja apenas
uma mudança no calendário...
Enfim, comecei
citando Carlos Drummond de Andrade e termino com uma frase dele : -“Para você,
desejo todas as cores desta vida, todas as alegrias que puder sorrir, todas as
músicas que puder emocionar.”
Feliz 2026
para todos!




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