A finalidade do meu blog é divulgar as crônicas que escrevo para o Jornal Correio de Uberlândia, sobre assuntos diversos, principalmente casos da família, para que alcancem um público maior. É uma forma de compartilhar com os leitores um pouco da minha vida e de levar um pouco de alegria, pois os textos são leves e divertidos.
A cada dois dias tentarei colocar um texto novo, para manter o interesse dos meus leitores e também algumas fotos para exemplificar alguns textos. Obrigada pelo apoio.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Vacas e bezerros
Ando preocupada com as vacas e seus bezerros, por causa de algumas coisas que ando vendo e ouvindo. Dia desses, fui à fazenda com o Zé, meu marido (minha mãe sempre dizia que mulher tem que acompanhar o marido). Mas eu não sabia que ele tinha comprado, em leilões, vários bezerros recém desmamados de suas mães, uns duzentos. Cada lote foi colocado em curral separado, em frente da casa da fazenda. Os bezerros eram da raça nelore, branquinhos, e se um disparava na frente, o bando todo ia atrás. Era até bonito de se ver. O problema é que os bezerros berravam dia e noite, bem alto, em coro, clamando pela mãe e por seu leite. Um berreiro de dar dó. À noite, a gente dormia (ou tentava) ouvindo aquele lamento grupal. Segundo o funcionário da fazenda (com total apoio do Zé), os bezerros deveriam ficar presos três dias, passando fome. Assim, quando fossem soltos no pasto, estariam tão esfomeados que só pensariam em pastar e não iriam fugir desatinados, pulando cercas e se afogando no rio, à procura do leitinho da mãe. Ou seja, era uma forma de proteger os bezerros. Achei essa técnica uma crueldade, uma forma de explorar os laços entre mãe e filho e pensei em chamar a Sociedade Protetora dos Animais. Voltei da fazenda com o coração partido e o Zé feliz da vida com seus lotes de bezerros.
Agora, esta semana, o Zé estava explicando pra mim tudo sobre pastagem e como estava fazendo com o gado durante a seca, para ele, o gado, não passar fome (sei que um casal precisa dialogar, mas nem tanto). Se é que consegui entender, o gado de uma fazenda estava sendo salvo pela tiririca, que brota justo quando o capim braquiaria está seco e os outros tipos de capim (quais mesmo?) ainda não nasceram. O gado gosta da tiririca quando está nova e macia. Acontece que na outra fazenda não tinha tiririca (será porquê?) e os funcionários tinham que cortar um caminhão cheio de cana, todo dia, para alimentar o gado. Mesmo assim, morreram de fome e fraqueza vários bezerrinhos que foram retirados da mãe muito cedo e vendidos nos leilões (e o Zé, malvado, comprou os bezerros). Como foram desprovidos do leite materno precocemente, não suportaram a seca. Novamente, fiquei triste pelos bezerros e agora estou sempre do lado das vacas, sofrendo com elas e torcendo por elas.
Por tudo isso, gostei de uma questão da última prova do ENEM. Nela existe o texto: “De acordo com o relatório “A grande sombra da pecuária”, feito pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, o gado é responsável por cerca de 18% do aquecimento global, uma contribuição maior que o setor de transportes.” O aluno deveria assinalar a letra A, de forma a completar a seguinte frase: “A criação de gado em larga escala contribui para o aquecimento global por meio da emissão de metano durante o processo de digestão”. Trocando em miúdos, quando bois, vacas e bezerros soltam “puns” e arrotos, o gás metano que liberam na atmosfera contribui mais para o aquecimento global que os gases liberados por veículos. Isso já foi comprovado e não há como inocentar as vacas e seus bezerrinhos. Mas nessa questão da prova tem um desenho em quadrinhos de duas vaquinhas simpáticas conversando. Uma diz : “Colocaram a culpa do aquecimento global nas vacas”. A outra então pergunta: “E o que faremos?’. A primeira vaquinha pensa e responde: “Culparemos as galinhas”. Como agora defendo as vacas, estou com elas, a culpa é das galinhas.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
O avô misterioso
Meus antecedentes, do lado de minha mãe, são índios (segundo ela). Do lado do meu pai, o avô Antônio era português e a avó Anna, suiça. Como todo brasileiro neto de portugueses, posso solicitar a nacionalidade portuguesa por naturalização, que é transmitida aos filhos menores de dezoito anos. Juntamente com um irmão, que também tem descendente menor de 18 anos, resolvemos tentar.
Não por nossa causa (porque bom mesmo é o Brasil), mas pelos filhos menores, pois um passaporte europeu pode abrir muitas portas. Ainda mais em tempos de aquecimento global. Milhares de pessoas (e entre elas, talvez os nossos filhos) provavelmente vão querer imigrar para países mais frios. Tudo indica que em futuro próximo, será impossível viver perto da linha do Equador, devido ás altíssimas temperaturas.
O problema é que o documento básico para obter a nacionalidade é a certidão de nascimento do avô Antônio. Começa então um trabalho de detetive, pois os descendentes não sabem muita coisa do avô português. Milagrosamente, aparece a certidão de óbito do avô, entre uns velhos pertences do meu falecido pai. Nela está escrito que Antônio é natural de Portugal e faleceu aos 52 anos, em abril de 1895. Portanto, nasceu em 1842 ou 1843. Mas, onde? Na certidão de óbito não existe este dado. Conversa vai, conversa vem, alguém lembra que foi em Trás-dos-Montes. Fica mais fácil, pois bastaria então procurar a certidão de nascimento nessa região. Mas, quem? Como? O meu filho, que está cuidando do caso, descobre uma especialista em procurar certidões de nascimento em Portugal (hoje em dia, existe de tudo). Ela, por sua vez, descobre que Trás-dos-Montes é uma região com quatro províncias: Vila Real, Bragança, Viseu e Guarda. E que cada uma tem milhares de certidões de nascimento arquivadas. Impossível uma busca sem saber o lugar exato e o ano de nascimento, levaria meses e meses.
O sonho da cidadania portuguesa quase vai por água abaixo. Mas o irmão insiste (está preocupado com o futuro da filha pequena) e encontra uma luz: todos os imigrantes japoneses, italianos, portugueses, etc, que chegaram ao Brasil de navio, nos últimos 200 anos, estão registrados no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, inclusive com o número de passaporte de cada um. A busca pode ser pelo nome ou pela data de chegada do navio. O filho detetive fica horas no arquivo, lendo microfilmes, entre os milhares existentes. Nenhum Antônio de Souza Coelho. Procura então pela data de chegada do navio, com todos os tripulantes. Ele sabia, após a investigação, que o avô Antônio (bisavô dele), havia chegado ao Brasil e morrido de febre amarela alguns anos depois, deixando três filhos pequenos (o do meio futuramente seria o meu pai). Como o avô Antônio morreu em 1895, então chegou ao Brasil alguns anos antes. O filho fez uma busca abrangente, dentro de um intervalo de vários anos, e nada.
Céus, o que aconteceu com o avô Antônio? Será que veio de Portugal sem passaporte, ou com um nome falso? Clandestino, escondido no porão? Ou não veio de navio? Ou então, será que era português mesmo?
Meu pai contava muitas estórias, mas como ando confundindo tudo, não sei mais de nada. Mas que o meu avô era o avô Antônio, isso era (lembro-me do único retrato dele, sério e bigodudo, em um quadro grande na parede, junto com a avó Anna, em um vestido de renda).
Além de não conseguir a cidadania européia, agora nem sei se tive mesmo um avô português e ando com a minha identidade abalada..
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Um vestido de seda
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Aventuras e desventuras de avó
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Zé e suas experiências de vida
| Zé dançando feliz, no casamento do filho, junto com a escola de samba |
Meu marido, o Zé, gosta muito de dinheiro (como diz ele, quem não gosta?). Na década de sessenta, resolveu comprar um sítio para o lazer da família. Mas entendeu que também deveria, é claro, tirar algum lucro da nova propriedade. Fez alguns cálculos e concluiu que um bom investimento seria criar galinhas caipiras para vender. Cada galinha, por ano, daria uns 20 descedentes; 200 galinhas dariam, vivos, uns 3000 galináceos. Como o preço da galinha caipira era muito bom naquela época, era lucro na certa. A partir daí, começou a povoar o sítio, comprando galinhas sem parar. As galinhas eram compradas de vendedores de bicicleta, dependuradas em um pau, colocadas de cabeça pra baixo e de bico aberto, em posição de desespero total. No início, uma maravilha: galinhas ciscando pra todo, galos cantando, lindos pintinhos piando. Muitos ovos, muitas galinhas chocando, muitos compradores para os frangos. Era só esperar o lucro. Mas começou a faltar comida natural (minhocas, bichinhos, etc) e a ração ficou muito cara, o milho também. Apareceram pássaros que bicavam e destruíam os ovos. Pintinhos nasciam aos montes, mas também morriam aos montes: com a “doença do caroço”, pisoteados pelas galinhas, afogados nas enxurradas, mortos de frio durante a noite. Uma mortandade de fazer dó. Os poucos frangos que sobravam não tinham mais tantos compradores. Por fim, acabaram-se as galinhas e os compradores. Restou para o Zé uma lição, que sempre passa para os filhos, pedindo para que eles, em qualquer investimento, se lembrem da conta das galinhas, pois nem tudo é o que parece ser.
Outra coisa que o Zé gosta muito é de futebol. Assiste direto na TV e durante muitos tempo, jogou “racha” com uma mesma turma, no Clube Cajubá. Usou para jogar, por muitos anos, o mesmo tênis preto de lona. Um belo dia o tênis rasgou e o Zé só viu na hora do jogo, quando foi calçar o tênis. A última coisa que ele faria na vida seria deixar de ir ao “racha” simplesmente porque o tênis estragou. Não teve dúvidas: calçou o pé direito com o tênis preto que estava bom e o pé esquerdo com um tênis branco , que ressuscitou. E lá se foi, todo feliz, com um tênis de cada cor. No princípio, a turma do “racha” achou engraçado, depois se indignou: “assim não dá, você está confundindo todo mundo, a gente não sabe se você é um ou dois jogadores!” No próximo jogo, levaram um tênis de presente pra ele e o Zé saiu lucrando.
Uma outra situação engraçada aconteceu quando fomos visitar o filho engenheiro que morava em Toronto, Canadá. O Zé estava mancando e com a perna inchada, conseguência de uma torção muscular. Nós dois fomos almoçar num shopping imenso, na praça de alimentação lotada. Esqueci de pegar guardanapos, levantei-me da mesa e fui buscar. Nisso, apareceu uma mulher pequenina, apanhou minha bolsa dependurada na cadeira e saiu rapidamente. O Zé ficou de pé, mas não conseguia correr atrás. Pensou em gritar “help” (uma das poucas palavras em inglês que sabia), mas ficou encabulado de gritar em pleno shopping. Além disso, não saberia explicar a situação, em inglês, para quem acudisse. Permaneceu parado, boquiaberto, pensando em como foi sair do Brasil para ser assaltado no primeiro mundo, por uma mulher. Voltei tranqüila, com os guardanapos, sem saber de nada. A mulher veio correndo atrás de mim e me entregou a bolsa. Ela pensou que eu a tinha esquecido. Quando olhei para a cara do Zé e entendi a situação, tive um “ataque de risada”. Mineiros no exterior é assim mesmo, um apuro atrás do outro.
Tem também outra situação interessante, do telhado, mas essa o Zé não me deixa contar. Vou levá-la comigo para o túmulo.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Crianças com fome
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