A finalidade do meu blog é divulgar as crônicas que escrevo para o Jornal Correio de Uberlândia, sobre assuntos diversos, principalmente casos da família, para que alcancem um público maior. É uma forma de compartilhar com os leitores um pouco da minha vida e de levar um pouco de alegria, pois os textos são leves e divertidos.
A cada dois dias tentarei colocar um texto novo, para manter o interesse dos meus leitores e também algumas fotos para exemplificar alguns textos. Obrigada pelo apoio.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
Trapalhadas do Papai Noel
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| Papai Noel com os netos : Maíra no colo, Miguel olhando para o pai, Pedro, Vítor e Théo |
No
natal da nossa família sempre tem alguém que se veste de Papai Noel para
alegrar a criançada. A roupa é a tradicional, de cetim vermelho e enfeites
brancos, casaco com capuz, barba falsa costurada no pano, cabeleira postiça,
óculos pretos para disfarçar os olhos, luvas para encobrir as mãos, saco
vermelho de cetim para encher de presentes. Acontece que, no penúltimo Natal, toda
a indumentária do Papai Noel (que eu mesma confeccionei) tinha desaparecido.
Tudo indica que o saco vermelho, com a roupa dentro, caiu da camionete durante
a viagem de volta para Uberlândia (imaginem a surpresa de quem encontrou).
Assim, no dia do Natal, na pacata cidade de Carmo do Rio Claro, com toda a
família reunida, o bom velhinho não pode aparecer para a meninada (Papai Noel
sem roupa, pelado, não dá). Foi a sorte dele.
Na noite de Natal, a criançada
comentava o que pediu para o Papai Noel. O neto de cinco anos pediu um laptop
do Batman e o de quatro anos, uma pistola do Power Ranger. O pai (meu filho)
achou o máximo o pedido da pistola, coisa de macho. Depois, como médico,
lembrou-se de que armas, mesmo de plástico, estão em desuso, pois mexem com o
hipotálamo e o sistema límbico da criança, desajustam a membrana coriônica do
sistema alfa e estimulam a violência. Concluindo: o filho iria virar bandido.
Como ele pagou os presentes, já não sabia se era um bom ou um péssimo pai.
As horas corriam e os adultos,
consternados, não sabiam como resolver a ausência do velhinho. De repente,
alguém teve uma brilhante idéia e gritou com entusiasmo que o Papai Noel já
tinha chegado, escondidinho, e deixado os presentes na árvore de Natal. Completou
que ele tinha vindo no trenó puxado pelas renas, que tinha até uma com narizinho
vermelho que brilhava, mas ele não pode esperar porque tinha muitos presentes
para entregar.
As crianças, enganadas direitinho,
saem em disparada (umas vão devagar, pois tem medo do Papai Noel). O neto mais
novo , eufórico, abre o presente com o seu nome e solta um grito de terror: -“O
que, uma Barbie? Eu mato este Papai Noel!” E o mais velho, decepcionado e
choroso: -“Olha o que eu ganhei, um tapete cor de rosa da Barbie!” O pai olhava
tudo, boquiaberto e indignado, pensando: “não dar a pistola, tudo bem, mas uma
Barbie! Aí o Papai Noel exagerou!”. Os pimpolhos correm pela casa, tentando
encontrar e matar o Papai Noel. Os adultos descobrem que a mãe deles, em
Uberlândia, antes da viagem, trocou os presentes com a irmã, que mora em
Araguari e tem duas filhas. Tentando contornar a situação, colocaram as
crianças para conversar ao telefone. A priminha conta que ganhou a pistola do
Power Ranger e a irmãzinha, o laptop do Batman. Eles falam que ganharam a
Barbie e o tapete. Com alívio, concluem que o bom velhinho se enganou e que os
presentes estavam a salvo. Depois, os netos encontram na árvore uma roupa do
Power ranger para cada um. Vestem, incorporam o personagem e esquecem a
frustração.
O maior problema, na verdade, foi o
pai, que ficou emburrado, deitado no sofá. Desenterrou da memória um antigo
trauma da infância, de um Natal quando tinha seis anos. Na época, escreveu uma
cartinha para o Papai Noel e endereçou para o Pólo Norte. Pediu um Rifle Super
Tiro, uma arma de plástico espetacular, que espocava 20 tiros fortes em sequência.
Ganhou uma Super Mouse, que dava cinco tirinhos fracos. Também queria matar o
Papai Noel.
Retratos de infância
quarta-feira, 28 de novembro de 2018
A volta da ararinha-azul
A
ararinha-azul, Cyanopsitta spixii, é
uma das menores das treze espécies de arara encontradas no Brasil. Foi
considerada extinta na natureza em outubro de 2000, quando as últimas sumiram
do céu brasileiro, por maior que tivessem sido os esforços feitos pelo "Projeto
Ararinha na Natureza" para salvar a espécie.
Agora, a
revista Veja de 21 de novembro, numa reportagem intitulada "Olha elas aí
outra vez", traz uma ótima notícia:
as ararinhas-azuis estão de volta. Sairão da Alemanha e da Bélgica e
virão para o norte da Bahia, no primeiro trimestre de 2019, para duas áreas de
conservação que estão sendo criadas na caatinga, em Juazeiro e Curaçá. Elas se
livraram da extinção porque uma parcela das que foram contrabandeadas para a
Europa e Ásia, no famigerado tráfego de animais silvestres, acabou sendo resgatada
por ONGs de preservação animal e conservada em cativeiro. Hoje restam 158.
Isso é uma
história interessante, que daria um filme. Aliás, já deu. No longa metragem de
animação, "Rio", que foi indicado ao Oscar, a estrela é Blu, uma
ararinha-azul que caiu do ninho no Rio, foi capturada e levada para os Estados
Unidos. Voltou ao Rio, passou por uma série
de apuros, conheceu a fêmea Jade e viveram
felizes para sempre.
Também as
ararinhas-azuis de verdade terão que vencer uma série de obstáculos até poderem
viver na natureza, felizes para sempre. As primeiras cinquenta desbravadoras viajarão de avião de carga viva até Petrolina,
em Pernambuco, o local mais próximo da reserva. A viagem dura dez horas. Antes,
tomarão medicamentos para viajarem calmamente adormecidas em caixinhas, duas a
duas. No aeroporto, passarão oficialmente dos cuidados dos veterinários alemães
para a equipe brasileira. Daí, serão transportadas em camionete até Curaçá,
onde aprenderão a viver em liberdade. Parece fácil mas não é, será um longo
aprendizado. Por exemplo, precisam ser ensinadas a reconhecer e captar na
natureza as frutas, folhas e sementes de que se alimentam. Até agora, receberam
tudo pronto no bico. Também precisarão encontrar locais apropriados para fazer
o ninho. Para isso, faz parte do projeto plantar na caatinga, único bioma
exclusivamente brasileiro, pés de caraibeira,
árvore alta na qual os antepassados da ararinha-azul faziam ninhos.
Outro problema é que precisam saber reconhecer predadores, como serpentes e
macacos (caso contrário, logo estarão todas mortas). Assim, serão usados sons e
figuras de predadores, para causar medo e ativar o instinto de preservação. Outra
barreira a ser vencida é que as avezinhas são escaladoras, gostam de subir cada
vez mais alto nos galhos. Terão que aprender qual galho será capaz de
suportá-las, senão será tombo na certa. Além disso, precisam entender que são
bichos e não gente como a gente, pois animais criados em cativeiro se percebem
mais como humanos do que como seres da sua própria espécie. Mais uma barreira:
a população no entorno da reserva precisará ser conscientizada para participar
no processo de reintegração.
Entre tantos obstáculos a vencer,
talvez o maior desafio seja a reprodução. Além da necessidade de local
apropriado para nidificação, a gestação das ararinhas -azuis, de trinta dias,
produz apenas dois filhotes, uma baixa taxa de fertilidade, que contribui para a
extinção da espécie. As avezinhas até que se acasalam, mas como a população é
reduzida, a infertilidade é alta.
Com tanto
trabalho para se salvar da extinção uma única espécie animal, pode-se pensar
que tudo isso é um exagero. Mas cada espécie à beira de desaparecer é indício
de que uma parte do meio ambiente, essencial á sobrevivência de outras espécies
e do homem também, está desaparecendo.
Oxalá a ararinha-azul tenha sucesso na sua
reintrodução na natureza e volte a colorir com seu voo os céus do Brasil.
terça-feira, 20 de novembro de 2018
O gato preto
O Léon é um gato preto que participa da nova novela da Globo, "O
sétimo guardião". Ele é misterioso, tem poderes, não é bem um gato e sim
uma pessoa transformada em gato. Mas a história que vou contar é sobre um gato
normal, bem guloso.
Tenho uma casa de aluguel e resolvi colocá-la na imobiliária,
para evitar desgaste com os inquilinos. Só que eu não sabia da existência do
gato preto.
Acontece que ela foi alugada para inquilinos que possuem dez
gatos: brancos, marrons, malhados, pretos. Gatos no sofá, no muro, na sala, no
quintal, na cozinha. Tudo bem se eles ficassem por ai. Mas o problema era o
gato preto. Não porque dizem que gato preto dá azar, mas porque toda noite o
felino saia sorrateiro, lépido, pisando macio, corpo elástico, olhinhos verdes
brilhando no escuro. Ia atormentar a vizinhança. Entrava na cozinha da D. Tetê
(nome fictício, para proteger a personagem) e atacava a comida de quatro gatos
filhotes, indefesos perante a audácia do
gatuno que, além de tudo, ainda batia neles. D. Tetê, indignada, foi reclamar
com a vizinha, minha inquilina.
O gato preto, alheio a tudo, continuava suas peregrinações,
ora na casa da D. Tetê e ora na casa de uma amiga minha, onde batia no Toninho
e na Princesa, seus gatos de estimação. Como se não bastasse, ainda subia no
fogão e comia nas panelas destampadas, lambendo os beiços. Minha amiga passou a
deixar a cozinha fechada, mesmo quando o calor estava insuportável. Culpa do
gato preto.
Um belo dia, D. Tetê veio na minha porta. Desfilou um rosário
de lamentações sobre as traquinagens do felino. Queria providências imediatas,
até pensei que teria um ataque cardíaco ali mesmo. Sugeri encurralar o gato na
cozinha, colocar num saco e soltar bem longe (fazer o que?). Ela ficou
estupefata com a sugestão, disse que eu não sabia como era perigoso um gato
encurralado. Até me ofereci para ajudar, mas não chegamos a nenhum acordo. E
eu, como bióloga, jamais poderia sugerir algo mais drástico.
Depois, passeando com minhas cachorrinhas (que, felizmente,
nunca foram atacadas pelo malvado) encontro-me com a D. Tetê. Ela me pergunta o
que vou fazer. Sem saída, prometo-lhe que vou telefonar para a imobiliária e
reclamar dos inquilinos. Ligo e conto o caso do gato. A atendente ri da
história, fala que nunca receberam reclamação deste tipo. Promete consultar o
departamento jurídico. Enquanto isso, o gato preto, gordo de tanto atacar a
comida alheia, continua atormentando.
Em uma manhã, indo buscar pão quentinho na padaria, vejo o
gato preto estendido na beirada do passeio, morto. Mortinho. Sem nenhum
arranhão, sem sangue, sem tripa pra fora, sem nada. Os pelos brilhando,
olhinhos fechados, patinhas encostadas umas nas outras, bem arrumadinho.
Abismada, meu primeiro pensamento foi: -"A D. Tetê matou o gato!"
Chego em casa, conto o acontecido. Minha amiga liga dizendo
que o gato preto morreu. A D. Tetê toca o interfone e pergunta se já sei da
novidade. Olho bem para ela, tentando decifrar seus pensamentos. Os olhos estão
marejados, a voz entrecortada. Não, não pode ter sido ela, a não ser que seja
uma excelente atriz. Mas olhos marejados como, se detestava o gato?
A vizinhança passou a fazer especulações. Teria sido o gato
preto envenenado na calada da noite, com veneno de rato? Teria levado uma
paulada ou uma pedrada? Ou foi atropelado por um motoqueiro distraído? Por um
carro desgovernado? Mas como foi parar no passeio, assim tão arrumadinho?
Mistério.
Sei que o gato preto se foi. Mas não sei se deixou saudades.
terça-feira, 11 de setembro de 2018
Sete de setembro
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| Foto no dia do desfile |
Neste último sete de setembro, Dia
da Independência do Brasil, assisti ao desfile na Avenida Floriano Peixoto. Os
tanques de guerra, os jipes, os
militares marchando em compasso, a bandeira do Brasil, o Hino da
Bandeira. O Corpo de Bombeiros, com uma
bonita ala de mulheres e crianças dentro do caminhão vermelho brilhante acenando
para a plateia. Militares com uniforme de camuflagem, segurando cães policiais
e rottweiler enormes, fizeram a alegria da criançada que estava na beira da
calçada agitando bandeirinhas do Brasil. Eles depois pararam na praça para
tirar fotos, inclusive comigo e com o neto de dois anos, que ficou aterrorizado
com a bocarra do rottweiler A Infantaria Motorizada, carros e motos da polícia
com sirenes ligadas. Os escoteiros. Pessoas da terceira idade desfilando com
bolas enormes. Acrobacias com bicicletas. Desfile de fuscas antigos e bem
conservadinhos. Cavaleiros com camisas iguais e coloridas, desfilando com
pangarés franzinos e com marchadores de passos dançantes. O colégio militar. Várias
entidades, algumas bem diferentes, como a Associação Brasil Soka Gakkai Internacional
e a Cultura Racional do Brasil para o Mundo. Escolas municipais e estaduais, com
bandeiras, tambores, faixas, dançarinas, acrobatas e crianças bem comportadas
parecendo orgulhosas de estarem desfilando. Gostei principalmente de uma, que
homenageou os coletores e varredores de rua, e confeccionou tudo o que foi utilizado no
desfile reciclando material, como os tambores de plástico azul e a saia de jornal
da bailarina.
Fico empolgada com o desfile das escolas, pois no planejamento do
desfile estão os professores, tentando ensinar aos alunos a respeitar o planeta
Terra, a saber quais deveres temos como
brasileiros, que país é esse e o que é amar a terra onde nascemos. Ainda mais
nestes tempos em que falta ao povo brasileiro um pouco mais de paixão pela
Pátria. Ainda mais neste Dia da Independência quando o Brasil todo estava
traumatizado com o atentado a faca sofrido pelo candidato á presidência do
Brasil, ocorrido na véspera.
Apreciando
o desfile, pensei no distante sete de setembro de 1822, quando D. Pedro I
mostrou que se preocupava com o Brasil. Impulsionado por suas ideias liberais,
gritou às margens do riacho Ipiranga a
frase que passou para a história: “Independência ou morte!” Revoltado, resolveu
romper definitivamente com a autoridade do pai, D. João VI (um caso de filho
revoltado com o pai e que deu certo) e proclamou o fim dos laços coloniais do
Brasil com Portugal. A cena está registrada em um famoso quadro de Pedro
Américo, com D. Pedro majestoso, em cima de um cavalo fogoso, cabelos
penteados, espada em riste, uniforme elegante e impecável, cercado por inúmeros
cavaleiros também garbosos e bem vestidos. Pessoalmente,
acho que a cena não foi tão espetacular assim, deveriam estar todos cansados,
empoeirados e descabelados (viajavam de Santos para São Paulo, a cavalo e em
estradas de terra). Como escreveu Leandro Narloch em seu livro “Guia
politicamente incorreto da história do Brasil”, para fabricar um espírito
nacional é normal que se jogue um brilho a mais em certos episódios.
Acrescentou que um bom jeito de amadurecer, ao interpretar a nossa história, é
admitir que alguns heróis da nação eram simplesmente pessoas do seu tempo.
Enfim,
mesmo se estivesse suado e cansado, devemos a D. Pedro a independência do
Brasil do jugo português. Falta agora ficarmos independentes do jugo do
extremismo, da radicalização, da intolerância e da corrupção, que tanto mal
fazem ao nosso país.
terça-feira, 28 de agosto de 2018
A Terra ferida
Em
1855 o cacique Seattle, de uma tribo no estado de Washington, enviou uma carta ao
presidente dos Estados Unidos, quando o governo pretendia comprar o território
ocupado por sua tribo. Um século e meio depois, o que ele escreveu continua bem
atual. E muito mais preocupante. Há trechos assim: "sabemos
que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de
terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da
terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de
exauri-la ele vai embora." Ou então: "não se pode encontrar paz nas
cidades do homem branco. Nem lugar onde se possa ouvir o desabrochar da
folhagem na primavera ou o zunir das asas dos insetos". Em relação ao ar,
o cacique Seatle escreveu : "o ar é precioso para o homem vermelho, porque
todos os seres vivos respiram o mesmo ar: animais, árvores, homens. Não parece
que o homem branco se importe com o ar que respira."
E
advertiu ao presidente : "se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição:
o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um
selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma". Termina lembrando que "depois que o último
homem vermelho tiver partido, a alma do meu povo continuará a viver nestas
florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do
coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos.
Protege-a como nós a protegíamos. E com toda a sua força, o seu poder, e todo o
seu coração, conserva-a para os seus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos" Penso
que se o cacique Seattle vivesse hoje, estaria muito triste. O homem branco não
tem cuidado nem das terras que ele vendeu e nem do planeta como um todo. A
Terra está ferida, muito ferida. Não está protegida, nem conservada, nem amada.
O ar que era tão precioso para o homem vermelho está poluído. Em cidades como
Pequim, os moradores precisam de máscaras pra respirar. Com o aquecimento global,
surgem incêndios gigantescos como os da Califórnia, extremamente rápidos,
agressivos e perigosos, causando tempestades de fumaça e dificultando a
respiração das pessoas. Os animais sofrem com o aquecimento global causado pelo
homem branco, estão morrendo aos milhares, não são tratados como irmãos. Por
exemplo, Clóvis Rossi, colunista da Folha, relata que na Coreia do Sul o calor
recorde de 2018 provocou a morte de 4,5 milhões de galinhas, patos, porcos e
vacas e na Suíça, uma tonelada de peixes mortos foi retirada dos rios porque a
temperatura elevada reduziu o nível de oxigênio da água. Ele cita um estudo
recente de cientistas britânicos que afirmam que o efeito dominó em cascata de
gelo que derrete, mares que aquecem, correntes marítimas que mudam e florestas
que morrem, pode empurrar a Terra para um estado de estufa no qual todos os
esforços humanos para reduzir as emissões serão inúteis. O colunista concluiu
que a Terra caminha pra se transformar em uma fornalha infernal. Ainda bem que
o cacique Seattle morreu sem saber disso.
E, como selvagem, ele ficaria
horrorizado ao saber da enorme quantidade de plástico que o homem branco joga
nos oceanos. A alma do seu povo, que deve continuar vivendo nas suas florestas
e praias, deve estar estarrecida com a poluição das águas. Segundo pesquisa
divulgada pela ONG International Coastal Cleanup, que passou o ano de 2016
coletando milhões de itens descartados na costa dos cinco continentes, as
garrafas de plástico e suas tampinhas são os produtos que mais poluem os mares.
Depois delas, as bitucas de cigarro: encontraram 1,86 milhão delas no período
da pesquisa. Em seguida, as embalagens de alimentos: 762.000 (principalmente de
doces e na costa dos Estados Unidos), as sacolas de supermercado com 520.000,
as tampas de copo com 419.000 e os canudinhos, com 409.000.
Pois é, cacique Seattle, os
animais do mar também estão morrendo por causa da poluição das águas causada
pelo homem branco. E como você escreveu, tudo quanto acontece aos animais pode
acontecer também ao homem. E tudo que fere a Terra, fere também os filhos da
Terra.
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