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| As bonitas bombeiras de Uberlândia |
A finalidade do meu blog é divulgar as crônicas que escrevo para o Jornal Correio de Uberlândia, sobre assuntos diversos, principalmente casos da família, para que alcancem um público maior. É uma forma de compartilhar com os leitores um pouco da minha vida e de levar um pouco de alegria, pois os textos são leves e divertidos.
A cada dois dias tentarei colocar um texto novo, para manter o interesse dos meus leitores e também algumas fotos para exemplificar alguns textos. Obrigada pelo apoio.
quinta-feira, 16 de março de 2017
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
Hoje só amanhã
O José Simão é cronista da Folha de S. Paulo. Escreve
de forma irreverente, espirituosa e bem humorada, com textos cheios de pontos de exclamação e de
trocadilhos. Começa sempre se intitulando como Macaco Simão, o esculhambador-geral
da república e termina com: "Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje só
amanhã!"
Nenhum político escapa de seu sarcasmo. O Temer
então, coitado, está em todas. Escreveu que depois do Temer receber 10 milhões
da Odebrech, o "Fora Temer" virou "Por fora Temer" e a
popularidade dele cresceu nas delações, onde foi citado 44 vezes e por isso vai
pro Guinness da Delação. Assim, é citado até em lista de supermercado: arroz,
feijão, granola , creme de leite e Temer! E continua: "Mudanças no Mundo
dos Vampiros! Michel Temer passará a se chamar Michel Treme nas bases! Que
também estão tremendo! Rarará!" E o Temer ficou tão indignado com a
delação que reagiu em latim: "Pimentorium in anus outrem, refrescus est.
Repudio-lo-ei". Concluiu que o Franstemer está indo pro Odebrejo...
O Lula também é um dos seus preferidos. Comentou que
o Lulalelé parece massa de pão: quanto mais bate, mais cresce! E que o Lula é
como o Corinthians: o povo gosta mesmo apanhando! Ironiza o relacionamento dele
com o Moro: "Lula e Moro em 50 Tons de Curitiba! Com cenas inéditas de
sadomasoquismo! Amor e ódio
encruado!"
Até a Carmem Lúcia, do STF, é chamada de Bento
Carneiro Vampiro Brasileiro. E nem a Marina escapa, chamada de Tartaruga Sem
Casco: "se árvore votasse, ela levava no primeiro turno! E com aquela
vozinha de teatro infantil! A voz da Marina é mais irritante que despertador de
segunda feira! E ela tem cara de "acima do bem e do mal"!
E a lista da Odebrecht, com os apelidos da turma do
congresso que recebia propina? Parece
time de várzea: Santo, Caju, Todo Feio, Caranguejo, Gripado, Primo, Decrépito,
Boca Mole, Angorá. Segundo José Simão, o Primo é o ministro Padilha, o mais
popular porque distribuía a grana: "E ai, primo". "Chegou a
grana, primo?" E o Boca Mole é o Heráclito, com boca de véia bater
bolacha! Já a Lídice da Mata é a Feia; propineira tudo bem, mas Feia é a mãe! E
ainda tem outros, como Aécio, que é o Mineirinho, embolsa quieto.
O Renan também caiu na desgraça. José Simão escreveu
que o Supremo decidiu que Renan passaria
de Réunan para Reinan. E ele, o Reinan, disse: "Se é para a felicidade do Temer e para
votar a PEC do Teto, digo ao povo que fico! Pra sempre! Daqui não saio, daqui
ninguém me tira!" No caso Renan, a casa não caiu por causa do Teto...
Outro assunto que ele tem abordado com humor é a
reforma da Previdência, que prevê aposentadoria após a terceira reencarnação. Se
o Niemeyer estivesse vivo, teria que trabalhar mais dez anos. No Brasil, agora
nem Matusalém se aposenta. Sugere então aderir ao PMV, Programa de Morte
Voluntária: morre e continua pagando o carnê! E o Frankstemer deu um recado ao
povo brasileiro: 'Posterga-lhes-ei a aposentadoria" (como é bom ter um
presidente que fale bem o português).
Quanto ao casal Cabral, esculhambou com ele. O casal
inaugurou a revista "Celas", só para presas ricas, com a manchete:
"Adriana Anselmo mostra sua coleção de joias Bangu Stern!" Ela abriu
sua cela para a revista , mostrando o colchonete com penas de urubu! E no verão
vai ter ilha de "Celas", com os convidados sendo levados por um
camburão anfíbio!
De qualquer forma, concordo com ele que a situação
está psicoesculhambativa-escalafobética! Hoje só amanhã mesmo!
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
A balsa do São Francisco
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| A balsa |
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| Singrando o Velho Chico |
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| O neto Théo, Júlia e o filho Luiz Cláudio na beiro do rio |
O
rio São Francisco esteve em destaque na mídia devido à novela "Velho
Chico" e ao fim trágico de um dos atores. Eu acompanhava alguns capítulos para
ver as cenas com o rio bonito, majestoso, largo e perigoso.
Gosto
desse rio e já passei por muitas aventuras ao atravessá-lo de balsa, para
chegar até a fazenda que temos na margem esquerda, no município de Buritizeiro.
A balsa pertence à essa prefeitura e carrega de uma vez até 10 carros. Navega
da margem direita para a esquerda nos horários ímpares (Ponto Chique para
Cachoeira do Manteiga) e faz o trajeto inverso nos horários pares. Assim, a
viagem deve ser programada de acordo com
esses horários, para ficar na fila. O drama é que a balsa quase sempre está
estragada, com problemas no motor, na hélice ou no casco. Ou então o rio está
raso demais e a balsa encalha, como aconteceu com a camionete do Zé, meu marido.
Ele ficou 2h encalhado olhando pro rio. Também há acidentes. Um dia a balsa
carregava um caminhão e ele caiu no rio. Na época da chuva, os carros atolam no
barreiro e todos têm que empurrar. E as
pessoas também atolam, eu e meus netos inclusive. Mesmo assim, é um alivio
quando a balsa está funcionando. Caso contrário, temos que dar volta pela
estrada chamada Poeirão (nem precisa explicar o porque do nome) ou atravessar
no barquinho do Di, que cobra R3,00 por pessoa e vai singrando corajosamente as
águas do Velho Chico. Nesse caso a camionete não atravessa, é preciso
descarregar tudo e colocar cada pacotinho no barco, uma luta. Há tempos, nem o
Di quis nos levar, pois ventava muito, o rio estava revolto e o barquinho
poderia virar (e mesmo se ele quisesse o Zé não iria, não quer morrer afogado).
Além
de tudo, a travessia é demorada quando o rio está muito raso. Os barqueiros precisam
ir sondando o leito do rio para passar nos locais mais fundos. Conversaram com
o Zé sobre isso, freguês assíduo da balsa e que sempre tem boas ideias. Concluíram
que era preciso mudar o sistema de impulsão da balsa, acoplando a ela um
rebocador, que mudaria a direção da
balsa nos trechos rasos. Mas, para isso, era preciso calcular qual o
peso da balsa quando estava vazia e quando estava cheia, para então saber qual
a potência do motor do rebocador. O Zé
armou a resolução do problema, usando o principio do empuxo de Arquimedes (peso
do corpo igual ao volume de líquido deslocado). Chamaram o João, gente boa, que
trabalha na nossa fazenda e tem muita disposição e vontade de aprender. Ele
usou uma vara, mediu a largura e o comprimento da balsa. Mediu o quanto ela
submergia quando estava vazia e quando estava com a lotação completa. O Zé fez
os cálculos e concluiu que a potência do motor seria de 200 cv. Levaram para o prefeito
de Buritizeiro, que engavetou o processo. Não adiantou a descoberta do
Arquimedes, nem a boa vontade do João, nem os cálculos do Zé. Faltou vontade
política, como, aliás, se vê muito por aí.
Mas o Zé continua a associar a teoria com a prática: há pouco tempo ,
ensinou os funcionários da fazenda a fazerem ângulos retos para construir um
galpão, usando o teorema de Pitágoras. Certa
vez, adaptou um freezer para usar
potencial hidráulico ao invés de energia elétrica. O freezer ficava no
meio do mato, perto da roda dágua e
fazia 60kg de gelo da noite para o dia, um espanto. Mas isso já é outra
história...
Enquanto isso, continuamos torcendo pra balsa não encalhar. Quem
sabe alguma fórmula do Einsten resolve o problema.
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Cão bravo
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| A netinha Lia com a Lolla |
Adoro ovo caipira, desses com gema bem amarela e casca azul. Tempos atrás descobri uma placa em uma casa na
vizinhança: "Vende-se ovos caipira". Ao lado, outra placa:
"Cuidado! Cão bravo". A
tentação de comer os ovos foi mais forte e toquei o interfone. Imediatamente surgiu um cão enorme parecido
com doberman , preto, latindo raivoso e dando saltos incríveis para pular o
murinho baixo e me devorar viva. Fiquei petrificada onde estava. Apareceu um homem que não era mentalmente muito normal,
mandou o cão ficar quieto e buscou os meus ovos. Voltei mais duas vezes,
tentada pelos ovos. Na última vez, cheguei justo no momento em que o cão
começou a latir e pulou para cima de uma senhora distraída que passava na
calçada com o filhinho. O cão bravo foi detido pelo murinho, mas parte do
tronco dele passou por cima e ele quase mordeu a mulher. Ela levou um susto
enorme, mas era mais brava que o cão e fez um escândalo na rua. O homem com
problema tomou o partido do seu cão raivoso e ameaçou acertar umas pedradas na
mulher. Vendo os ânimos exaltados, antes de levar uma pedrada ou uma mordida,
dei meia volta e fiquei sem os deliciosos ovinhos caipira.
Passado um ano do episódio, criei
coragem e voltei lá. Só vi a placa dos ovos. Onde estaria o cão bravo? Seria uma armadilha? Toquei o interfone pronta
para correr, se necessário. Apareceu uma senhorinha amável , eu disse que
queria ovos e ela me convidou para entrar e ver as galinhas. Eu me neguei
veementemente, o cachorro deveria estar lá em algum lugar, de tocaia. Mas ela
explicou que tinham dado o cachorro porque ele atacara o senhor idoso e
grandalhão, que morava na casa com o seu filho, e ela estava lá para cuidar
dele. Eu vi o braço do senhor, todo machucado, com inúmeros pontos, dilacerado,
inchado e vermelho, um horror. Também vi as galinhas gordas, livres, ciscando
no quintal e de papo cheio. Levei meus ovinhos caipiras, mas fiquei
impressionada ao ver que eu tinha razão
de ter medo, o cão era uma fera e ficava solto. Ainda bem que não comeu as
galinhas.
Semanas depois passei por outro
episódio envolvendo cão bravo, mas dessa
vez com final feliz. Minha cadelinha yorkshire, a Duda, teve três filhotinhos
em junho: Lolla, Milla e Tobias, lindos. Fiquei com a Milla, dei o Tobias e
vendi a Lolla. Mas não havia como entregar os cãezinhos para os donos, pois estavam
sete netos pequenos passando férias aqui em casa. Eles fizeram um complô para
esconder os filhotes e para chorarem juntos como protesto. A compradora da
Lolla era insistente e conseguiu levá-la, deixando as crianças aos prantos.
Horas depois ela voltou para devolvê-la. Explicou que a Lolla só chorava, não
comia e estava sendo aterrorizada por sua outra cachorra, uma filhote de
rottweiler que queria engolir a Lolla. Devolveu a cachorrinha, insistiu em pagar uma
multa e ainda deixou um saco de ração e duas vasilhas de metal. As crianças
ficaram muito felizes, a Duda deitou de lado e a Lolla mamou até ficar
prostrada.
Agora estou tentando socializar a Duda e a Milla, para que se tornem
adultos mais equilibrados. E para que a Duda pare de latir tanto, pois é
mentira que cão que ladra não morde. O doberman latia muito e mordeu o dono. Mas
não vou julgar o doberman. Penso que
talvez não o ensinaram, desde pequeno, a obedecer a comandos, a respeitar as
pessoas, a ser obediente e não brincaram com ele. Talvez o tenham ensinado a
atacar mesmo. De qualquer forma, com cão bravo o melhor mesmo é se prevenir.
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
Lições das Olimpíadas
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| Majlinda e sua medalha de ouro |
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
Adeus Rio 16
Acabou
tudo. Foram duas semanas de assombros, de surpresas e de encantamento, com a
torcida brasileira dando show com sua alegria. A Rio-16 passou no teste. Mas lá
se foi o colorido e a alegria que os 350 mil turistas estrangeiros deram ao
Rio, o desfile de diferentes sotaques, a garra e o exemplo dos 11.544 atletas
de 205 países que deram o melhor de si
em busca do ouro, as transmissões ao vivo pela TV de 45 modalidades esportivas (algumas tão
desconhecidas pra mim como arremesso de martelo). Ficou este sentimento de
ressaca, como se a gente estivesse vendo
a partida de um grande amor.
Apesar
da ironia pessimista do José Simão, cronista da Folha, ao escrever que o Brasil já tinha três medalhas
de ouro garantidas- assalto triplo com AK-47, corrida de 1.500 m com bolsa de
gringo e revezamento de celular roubado- as olimpíadas cumpriram seu papel de
espetáculo multinacional e multicultural. Ocorreram problemas sim, e o custo foi
altíssimo, 40 bilhões de reais!! Mas foi emocionante e aconteceu de tudo. Por
exemplo, nunca tanta gente chorou em disputas esportivas na TV. O Neymar chorou
muito, ajoelhado na grama, quando a seleção conquistou o ouro. O Serginho
chorou demais, ficou com olhos inchados, foi campeão de vôlei e de choro. A Marta chorou, deitada na grama, depois da
derrota contra a Suécia; a boxeadora Yin Junhua chorou ao receber a medalha de
prata, luta boxe mas é bem feminina. Outros sorriram sempre, como Simone Biles,
que encantou a plateia ao dançar ao som de "Mas que nada". E o Guga,
sem dúvida a grande atração da Globo, riu o tempo todo. Foi contratado para
comentar o tênis, mas comentava tudo. Já o Isaquias, o fenômeno baiano que ganhou três
medalhas na canoagem, era bem falante e foi apelidado de Sem Rim pelos colegas
(já perdeu um rim). O José Simão gostou
do desempenho dele, escreveu que se o Brasil afundar, o Isaquias salva (também
escreveu que o Moro contratou o Bolt pra pegar o Lula e que o Frankstemer não
foi no encerramento por medo de vaias).
Quanto
ao aspecto físico, havia atletas de todo tipo ( mas todos com barriga tanquinho).
Os gigantes do vôlei, como o russo Dmitriy com 2,18m e a chinesa Ting Zhu, com 1,95m. Os magrelos, como o queniano
Eliud Kipchoge, com 1,67m e 57kg, vencedor da maratona e que ficou milionário
com os prêmios que já recebeu. Os gordinhos e simpáticos, como a goleira
angolana de 98 kg e o judoca Rafael Silva, com 170 kg. Os bonitos, como Darya
Klishina, do atletismo russo, eleita "a mais gata" e Thiago Braz, ouro
no salto com vara, "o mais gato".
Havia
também atletas excepcionais, como Phelps
e Bolt. Como escreveram, "pelos números e pela longevidade, Phelps é o
maior atleta olímpico de todos os tempos. Maior do que Bolt. Mas Bolt é muito
mais legal". Também surgiram heróis
brasileiros improváveis, como Maicon Siqueira, que trabalhava como pedreiro e
ganhou medalha no taekwondo e Rafaela Silva, favelada da Cidade de Deus e ouro
no judô.
Na
linda cerimônia de encerramento, crianças cantaram o Hino Nacional ao som de
tambores, mulheres rendeiras dançaram, o Pão de Açúcar foi representado no
gramado, o primeiro ministro do Japão "brotou"
do chão vestido de Super Mário, a pira olímpica foi apagada, atletas dançaram
com as escolas de samba. Um show de
arte, luzes, tecnologia e magia. E as luzes se apagaram.
Parabéns, Rio, você merece a medalha
de ouro!Parabéns, Brasil!
terça-feira, 14 de junho de 2016
A família
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| A filha Thais com sua família tradicional: pai, mãe e filhos |
Zé e seus irmãos olhando com gula o porco paraguaio
Netos, a sobremesa da vida
Sempre
me intrigou o fato de Jesus ter realizado o seu primeiro milagre em uma festa,
transformando água em vinho. E foi muito vinho, o que poderia embebedar muita
gente...
Até
que assisti a um belo sermão do padre Olimar, na catedral de Santa Terezinha.
Ele explicou que a festa, com sua fartura e aparente inutilidade, é uma
necessidade da vida humana e uma afirmação de dias melhores. A vida foi feita
para ser festa, não para ser sofrimento ou mesquinharia. E Deus é um Pai
alegre, que gosta de alegrar o coração dos homens. O milagre foi realizado em
uma festa de casamento, na união entre duas vidas e Deus, para começar uma
família. Deveria então haver alegria, mas o vinho acabou. Fez um paralelo com
as bodas atuais, onde frequentemente o vinho também falta e a alegria
desaparece da união. O vinho do desejo, da afeição, do respeito e da
compreensão passa a faltar nas taças do casal. Mas se existir Jesus na relação,
a água do cotidiano pode ser novamente transformada em vinho. O milagre do
recomeço se inicia com a oferta do que se tem e o vinho do final talvez seja
melhor que o vinho do começo. Rezou então pelos casais felizes que passeiam de
mãos dadas e por aqueles que separam as mãos e as vidas. Pelos casais que se
beijam e se abraçam em amores e por aqueles que se agridem em ciúmes. E
abençoou as famílias.
Ainda
sobre a família, li um livro interessante, " O arroz de Palma", de
Francisco de Azevedo. Conta a história de uma humilde família portuguesa que chegou ao Brasil cheia
de sonhos. O narrador é Antônio, filho do casal imigrante e Palma é sua tia.
Muito pobre, ela juntou o arroz espalhado no chão da igreja no dia do casamento
do irmão, abençoou-o e presenteou o casal.
O arroz serve de fio condutor da história da família, em seus dramas,
conflitos e alegrias. Antônio se transforma em talentoso cozinheiro e dono de
restaurante. Compara a família a um prato difícil de preparar. E não precisa
ter vergonha de chorar quando se coloca alho e cebola, pois família é prato que
emociona. E a gente chora de alegria, de raiva ou de tristeza. Ensina que
temperos exóticos alteram o sabor do parentesco, mas que se misturados com
delicadeza, tornam a família mais colorida e interessante. Também é preciso
cuidado com as medidas, uma pitada a mais pode ser um desastre, pois família é
prato sensível. E saber meter a colher
na hora certa é verdadeira arte, pois
pode desandar a receita toda. É bobagem pensar que existe receita de família
perfeita. Não há "Família à Belle
Meunière" nem "Família ao Molho Pardo", nas quais o sangue é
ingrediente fundamental. Família é afinidade e tem que ser "À moda da
casa". E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito. Há famílias
doces e outras amargas. Algumas apimentadíssimas e outras sem gosto, tipo
"diet', que a gente suporta só pra não perder a linha. É prato a ser
servido quente, quentíssimo, pois família fria é impossível de se engolir. Mas
é preciso saber a hora certa de apagar o fogo, pois há famílias inteiras
queimadas por causa de fogo alto. O autor conclui que receita de família não se
copia, se inventa. E deve ser saboreada ao máximo, passando o pão naquele
molhinho que fica na louça, pois família é prato que quando se acaba, nunca
mais se repete.
A
não ser que, como disse o padre Olimar, se houver Jesus na família, é possível
um recomeço com os ingredientes que se tem. E quem sabe, inventar uma receita "À
Moda da Casa" mais saborosa que a inicial.
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