A finalidade do meu blog é divulgar as crônicas que escrevo para o Jornal Correio de Uberlândia, sobre assuntos diversos, principalmente casos da família, para que alcancem um público maior. É uma forma de compartilhar com os leitores um pouco da minha vida e de levar um pouco de alegria, pois os textos são leves e divertidos.
A cada dois dias tentarei colocar um texto novo, para manter o interesse dos meus leitores e também algumas fotos para exemplificar alguns textos. Obrigada pelo apoio.
terça-feira, 9 de julho de 2013
terça-feira, 14 de maio de 2013
Aventura na calçada
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| Mel na caixinha com o neto Théo |
sábado, 11 de maio de 2013
Mãe
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| Minha filha Karine com seu filho Yuri |
terça-feira, 9 de abril de 2013
Pôr do Sol
Casapueblo em Punta del Este, Uruguai
No livro “O Pequeno Príncipe”, o principezinho morava em um
planeta bem pequeno. A sua vidinha era melancólica e por muito tempo sua única
distração era a doçura do pôr do sol. Podia contemplar o espetáculo várias vezes
por dia, bastava afastar sua cadeira para pontos diferentes do planeta. Em
certo trecho, ele comenta com seu amigo aviador:-“Um dia eu vi o sol se pôr
quarenta e três vezes!” E um pouco mais tarde, acrescentou: -“Quando a gente
está triste demais, gosta do pôr do sol...”O aviador perguntou:-“Estavas tão
triste assim no dia dos quarenta e três?” Mas o principezinho não respondeu.
Também
gostaria de ver o sol se pôr várias vezes num mesmo dia, não por tristeza, mas pela
beleza do espetáculo. Felizmente tive oportunidade de assistir a um pôr do sol inesquecível,
valeu pelos quarenta e três do principezinho. Não apenas pela magia e doçura,
mas pela singularidade do local de observação, pela história de vida do
proprietário e pelo respeito demonstrado pelos turistas. Tudo aconteceu na
Casapueblo, em Punta del Este, Uruguai. O lugar é hotel, museu e ateliê do
renomado artista uruguaio Carlos Paez Vilaró, de 89 anos. Ele é pintor,
escultor, compositor, escritor, muralista e construtor. Casapueblo é a sua “escultura
viva” em frente ao mar, toda branca, formada por partes arredondadas que
simulam os ninhos de barro do pássaro Forneiro, comum na região. Foi construída
à mão, em vários estágios, durante 30 anos, e todos os quartos, salas e
varandas são voltados para o mar e ligadas por corredores que formam um verdadeiro labirinto. Quando Vilaró terminou
a construção percebeu, surpreso, que a cidadela havia ficado com a forma do
mapa do Brasil. No museu encontram-se quadros e esculturas do artista, com
cores vibrantes e que abordam principalmente os temas cultura afro uruguaia e
mulher. Cada cor tem um significado: o azul colonial é nostalgia, o branco é
ansiedade de ser cor, o verde é vida, o rosado é o amanhecer do amor. Em uma
sala, os turistas podem assistir a um filme sobre o artista, no qual Vilaró narra
suas viagens e mostra suas obras ao redor do mundo. Conta do acidente em 1972
com o filho, Carlos Miguel, que viajava de avião e este caiu na cordilheira dos
Andes, no Chile. Depois de 72 dias, 16 sobreviventes foram encontrados e entre
eles estava seu filho. No filme, a descrição que Vilaró faz do abraço que deu
no filho, quando o encontrou, dá vontade de chorar. Vilaró nunca desistiu de
procurá-lo e conversava com ele todas as noites olhando para a lua(escreveu o
livro “Entre mi hijo y yo, la luna”).
Assim, num local construído por uma
pessoa tão especial, centenas de pessoas esperavam o pôr do sol do alto da
Casapueblo, olhando a vastidão do horizonte se encontrando com o mar. Matizes
de vermelho, laranja e roxo cobriam o céu (eu não sabia que o roxo combinava
tanto com laranja). Momento de silêncio, de respeito, de magia. Hora de
agradecer a Deus por mais um dia, pelos momentos difíceis e pelos bons
momentos, de sentir que a vida vale a pena. Uma foto, um abraço, um afago, o
vento no rosto, o barulho do mar, o céu colorido, o sol como uma imensa bola de
fogo baixando devagar. Quando desapareceu, as pessoas bateram palmas e algumas
brindaram com vinho. Ao fundo, a voz gravada de Vilaró: “tchau, sol, te quiero mucho,
gracias por tu encanto”. Tudo muito lindo, até senti a presença do Pequeno
Príncipe por lá.
domingo, 7 de abril de 2013
Redação no Enem
Obs: Texto escrito por mim, com os
depoimentos do meu marido, José de Paulo.
Tenho
acompanhado com atenção os noticiários sobre as correções das redações do Enem.
Fui presidente da Comissão Permanente de Vestibular (COPEV) da UFU no período
de 1981 a
1993, quando era obrigatória, por lei, a existência de redação no vestibular. A
correção sempre foi preocupante, mesmo com examinadores capacitados, envolvidos
e treinados. Embora existissem critérios de correção bem definidos, a nota
variava de examinador para examinador. E diferenças mínimas de notas, em cursos
concorridos, podem classificar um aluno e eliminar outro. Assim, embora seja
inegável que o aluno precise escrever bem ao ingressar na universidade, a
redação, em um processo seletivo, não é apropriada para avaliar isso, pois a correção
não é confiável.
Dando um exemplo concreto: os instrumentos de
medições de variáveis naturais devem ter precisão, sem a qual esses
instrumentos perdem suas finalidadades. Citamos repetitividade, sensibilidade,
justeza, confiabilidade. Podemos ilustrar isso com o uso de termômetro para
medir a temperatura de um sistema. Se o termômetro possui a característica da
repetitividade, deve indicar a mesma temperatura para o mesmo sistema quantas
vezes for medida; terá sensibilidade se for capaz de indicar pequenas variações
reais de temperatura para o mesmo sistema; terá justeza se indicar o mesmo
valor de temperatura para diferentes sistemas de igual temperatura. Ao
apresentar essas três características, o termômetro então será confiável. A
ausência de confiabilidade compromete instrumentos como medidores de pressão, de
nível, de comprimento, de tempo, de umidade relativa, de velocidade e outros.
Fazendo um
paralelo com as redações, a falta de confiabilidade na correção das mesmas
compromete a redação como sendo uma maneira eficaz de avaliar o conhecimento do
aluno de forma quantitativa. A nota atribuída a cada redação deveria ser
confiável, aproximando-se o mais possível da confiabilidade ideal. Dessa forma,
a correção criteriosa de uma redação resultaria em uma nota que seria sempre
repetida, qualquer que fosse o examinador. No entanto, isso não acontece,
conforme vivenciei enquanto presidente da COPEV. Na época, testava a correção
enviando cópias de uma mesma redação para diferentes bancas. A redação valia
trinta pontos e cada banca era composta por três examinadores. Cada um atribuía
nota de zero a dez, sendo a nota final a somatória das três notas. Era
preocupante como as notas de uma mesma redação variavam muito de uma banca para
outra. E, mais espantoso ainda, se a mesma redação fosse corrigida duas vezes
por uma mesma banca, as notas seriam diferentes. Quando a redação deixou de ser obrigatória,
propus à UFU a exclusão da redação como instrumento de avaliação do aluno no
vestibular, mas não obtive êxito.
Agora, leio na
Revista Veja (27/03/2013) que o Enem pode virar piada por causa da correção das
redações. Receita de Miojo, hino do Palmeiras e erros grosseiros de português
foram bem avaliados. Os 4,2 milhões de redações foram corrigidas por 5.596
profissionais, que gastaram cerca de 1,5 min em cada redação para avaliar itens
complexos como o domínio da norma culta da língua e a capacidade de construir argumentações
sólidas sobre o tema. Tudo isso vem reforçar minha opinião de que a redação é uma
forma injusta de avaliar os alunos ingressantes nas universidades. Deveria ser
excluída do Enem e de qualquer outro processo seletivo.
José de Paulo
Carvalho
terça-feira, 12 de março de 2013
O prato de nhoque
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| O prato de nhoque na mesinha da cabine |
Em
fevereiro agora, juntamente com familiares e amigos, fizemos um cruzeiro em um
navio luxuoso. Treze andares com escadarias e elevadores dourados, salões
diversos, teatro, cassino, corredores compridos atapetados, restaurantes finos,
piscinas de todo tipo, comida à vontade, muitos shows e diversão. A bordo, 3500
passageiros (alguns vomitando) e quase 1000 tripulantes de várias
nacionalidades, singrando os mares. O mar, meu Deus, o mar! Uma imensidão azul,
se encontrando no horizonte com o céu, lindo.
Em meio a
tudo isso, o Zé, meu marido, e eu. Ele, dizendo que o navio era um regime de
engorda, só comer e dormir. E eu, querendo aproveitar cada minuto e conhecer
tudo. Nesse contexto, certa noite fui jantar com o meu grupo. Éramos sempre
seis pessoas na mesa, mas nesta noite faltava o Zé. Ele estava com dores no
corpo e preferiu ficar na cabine (o que mais gostou no navio foi da cabine, de
ficar esparramado na cama larga). Eu estava faminta, esfomeada, nervosa de fome
e resolvi pedir quatro pratos: uma massa enroladinha de entrada, salada, nhoque
e o prato principal, lagarto fatiado com arroz e legumes (felizmente não pedi
sobremesa). Deliciei-me com o primeiro e o segundo pratos, mas quando o garçom
trouxe o nhoque, desanimei. Estava bonito e apetitoso, com muito molho e queijo
ralado por cima, os pedacinhos de nhoque caprichosamente dispostos no prato.
Mas eu pensava no prato principal, que ainda teria que comer, e fiquei
angustiada. Tentei empurrar o prato pra alguém da mesa. Não deu certo. Sugeri
dividir um pouquinho pra cada um. Não quiseram. Fiquei então num dilema, não
poderia desperdiçar um prato daqueles, tão gostoso e com tanta gente passando
fome no mundo. Daí,tive uma idéia genial: levar o prato pro Zé, que estava
sozinho e abandonado na cabine, decerto com fome. Mas não sabia se podia sair
de um restaurante tão distinto, carregando um prato de nhoque. Ainda mais no
famoso dia do jantar do comandante, com as mulheres de vestidos longos, cheias
de colares, e os homens de terno e gravata. Os companheiros da mesa me apoiaram e resolvi
arriscar. Tampei o prato de nhoque com outro prato e fui saindo de fininho. No
que dei três passos, fui cercada por dois garçons e pelo “chef de cuisine”. Vergonha
total, eu me sentindo uma assassina, gente olhando. Perguntaram o que eu ia
fazer, expliquei que meu marido estava doente e que ia levar o nhoque pra ele.
Disseram que não podiam permitir, pois eu poderia cair com o prato, me cortar
toda, perder muito sangue, quebrar a perna e culpar o restaurante. O “chef”
falou grosso, com um sotaque estranho, que tinha gente pra fazer isso, anotou o
número da minha cabine e tomou o prato das minhas mãos, nem pude fazer nada. Voltei
cabisbaixa pra mesa. Pensei: “mesmo se quiserem entregar, nunca vão conseguir acordar
o Zé batendo na porta”. Comi o prato principal, dei umas voltas pelo navio e
até me esqueci do incidente.
Mais tarde,
quando abri a porta da cabine, fiquei surpresa: eles tinham mesmo levado o nhoque
e conseguido acordar o Zé! Ele estava sem camisa, sentado na cama e saboreando
o prato de nhoque, que estava numa mesinha dourada. Contou que bateram
“muuuito” forte na porta, ele abriu e entrou um asiático alto, que falou “bueno
apetito”. O Zé ficou feliz e emocionado por eu ter me lembrado dele. Na
verdade, não foi bem assim, mas valeu, pois ele disse que foi o melhor prato
que comeu no navio.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Criatividade
Gosto de textos criativos e
divertidos. Por exemplo, “Crônica da loucura”, de Luis Fernando Veríssimo e textos
que circulam na internet, como a análise psicológica da música “Esse cara sou
eu” e o texto sobre a criação, onde Deus e Satanás travam uma batalha.
Na “Crônica da loucura”, Veríssimo afirma
que o melhor da terapia é ficar observando os colegas loucos na sala de espera
do analista (que é mais louco que todos eles). Um dia, estavam na sala: ele; um
crioulinho bem vestido; um senhor de terno preto; uma velha gorda. Começou a
imaginar qual seria o problema de cada um, partindo do princípio de que todos
eram loucos como ele. O pretinho tinha um olhar cansado, os tênis gastos e
carregava uma mala. Concluiu que dentro deveria estar o corpo da namorada
esquartejada. Ou, então, apenas a cabeça. Ele deveria ser um assassino ou um
suicida. Perigoso. Já o senhor de terno
tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Roia as unhas. Insegurança total, mal
amado, medo de viver. Deveria ser um corno. Manso. Ou seria um homossexual?
Não, ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido. Mas a melhor
mesmo, a mais louca, era a gorda baixinha. Como sofria. Não devia fazer amor há
mais de 30 anos. Seria uma velha masturbadora? Não, pois tirou um terço da
bolsa e começou a rezar. O problema era mais grave do que ele pensava. Na
conversa com o analista, contou da “viagem” dele na sala de espera. O analista
riu, riu muito. Explicou que o Ditinho era o seu “office-boy”, o de terno preto
um representante de laboratório e a gordinha era a sua mãe. E o analista concluiu:
“e você, não vai ter alta tão cedo...”
Na análise psicológica da canção
“Esse cara sou eu”, o autor cita cada
trecho e comenta. Por exemplo: “o cara que pensa em você toda hora, que conta
os segundos se você demora, que está todo tempo querendo te ver”, indica um
cara obcecado, grudento, com fortes indícios de ciúme doentio. No trecho “está
do seu lado pro que der e vier, o herói esperado por toda mulher, por você ele
encara o perigo”, indica que o cara tem a síndrome do super herói, se
posicionando como um salvador e dominando a mulher. Quando diz quatro vezes
“esse cara sou eu, esse cara sou eu”, mostra dificuldades de afirmação. O autor
conclui que o cara é passional, obsessivo, com grande potencial para violência
e aconselha: “Fuja dele”.
No terceiro texto, “A criação”, o
autor conta que tudo que Deus fazia para o bem do homem, Satanás atrapalhava.
Por exemplo: “No início, Deus criou o Céu e a Terra, e povoou a Terra com
brócolis, couveflores e espinafres, para que o Homem e a mulher tivessem vida
longa e saudável. Então Satanás criou os sorvetes cremosos da Parmalat e da
Haagen-Dazs. E Satanás disse: “Vocês querem que eu acrescente calda de
chocolate?” O Homem e a mulher quiseram, engordaram cinco quilos e Satanás
sorriu”. Deus então criou a carne magra grelhada, e Satanás criou a rede de
McDonald´s e seus cheesburgers gigantes. E por ai foi, até que o Homem teve uma
parada cardíaca. Então Deus criou o marcapasso e os stents e Satanás criou o
Sistema Único de Saúde, o SUS e Amém!
Mas criativas mesmo são as pessoas
mostradas em uma foto na internet, intitulada “Fila na Bahia”. Elas
enfileiraram seus sapatos, chinelos e sandálias e ficaram sentadinhas, de
braços cruzados e descalças, esperando o clichê abrir, com os sapatos marcando
o lugar de cada uma. Acabaram com as filas...
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